Seu direito de expressar dor e ser ouvida

Conselhos para você se expressar melhor enquanto vive com uma doença crônica

Por Paul J. Donoghue, PHD, e Mary E. Siegel, PHD. – Lupus Foundation of America

Você já pensou como seria bom em ter alguém onde o seu trabalho fosse escutar enquanto falamos sobre as dificuldades da vida? Um ouvinte dedicado. Não um solucionador de problema. Não um conselheiro. Somente uma pessoa que escute o que temos para dizer e reconheça nossa necessidade de falar.
E não seria ótimo se soubéssemos o que dizer a alguém que está doente? Se a resposta certa estivesse na ponta da nossa língua?

Nós temos o direito de nos expressar. Nos expressar, e explicar como nos sentimos, é necessário para uma comunicação eficaz. Mas quando a comunicação causa confusão, desentendimento, e frustração, não é comunicação. Neste artigo, os psicologistas Paulo J. Donoghue, PHD, e Mary E. Siegel, PHD, examinam como nós falamos, como escutamos e como podemos ser mais eficazes nas duas situações.

Colapso na comunicação

Sharon Taylor foi diagnosticada com lúpus quando tinha 28 anos. Agora com 36 anos e mãe de três filhos pequenos, ela está passando por uma crise com dores nas articulações. Pela primeira vez desde que foi diagnosticada, Taylor precisa de ajuda para cuidar de seus filhos e das tarefas de casa.

“Tem sido difícil desde que fui diagnosticada”, diz Taylor. “Eu fiquei acostumada com certos limites em minha vida. Nunca saio à noite, e quando meus filhos vão se dormir, eu também vou. Eu sei que nunca serei uma mãe e esposa ativa que pensei que seria. Mas desta vez, eu estou com medo, estou frustrada e muito cansada de sentir dor.”

Às vezes, quando Taylor teve que passar por dificuldades com sua doença, ela desabafou com sua irmã. “Quando contei para a minha irmã sobre o que estava passando, ela disse ‘Sabe, você tem que olhar pelo lado positivo. Foram oito anos sem crise. Isto significa que você tem que buscar mais fundo sua coragem. Seja grata e se mantenha forte. Poderia ser pior.'”

Frustrada e se sentindo culpada pela resposta da sua irmã, Taylor diz, “Claro, sou grata por não ter tido uma grande crise em algum tempo. Mas agora me sinto muito assustada. Se eu for falar sobre lúpus, eu tenho que falar de uma forma diferente ou com alguém que não seja minha irmã, porque não suporto a maneira como me sinto depois de suas respostas.”

Taylor se sentiu péssima com as palavras da sua irmã. Como todas as pessoas com uma doença crônica, como lúpus, ela precisa falar, desabafar, e compartilhar seus sentimentos de desânimo, medo, tristeza, e raiva.

Porquê? Porque viver com lúpus pode ser muito difícil e devastador.

Esperando o inesperado

Quando você tem lúpus, geralmente é confrontado com estes desafios:

1. Geralmente se sentirá desapontado pelo fato de que não poderá fazer mais o que costumava fazer. Grandes e pequenas atividades que antes lhe trazia prazer, diversão, talvez não seja mais possível.

2. Seus desejos, sonhos e planos podem ser frustrados. Uma aula de dança, uma viagem, até mesmo uma carreira profissional, poderá ser adiada ou mudada totalmente.

3. Poderá ficar cansado com uma batalha constante com empresas de seguro de saúde, com o mundo médico, com patrões, familiares, e outros que não entendem o que você está passando.

4. Você poderá ser bombardeado com dores, fadiga, fraqueza muscular e efeitos da medicação. E estes sintomas podem ser implacáveis e imprevisíveis.

5. Você pode se sentir diferente de uma pessoa saudável e forte. Você verá os outros viverem de uma maneira livre, sem maiores cuidados, enquanto você luta contra sentimentos de inferioridade e inveja.

6. Você vive em uma sociedade que não só valoriza a saúde, exercícios, mas que também sugere, não tão sutilmente, que todos podem estar bem com a atitude certa, com pensamento positivo, com fé e bom humor. Dr. Oz capturou esta mentalidade em um artigo sobre enfrentando a dor, em Julho de 2012, na revista AARP, onde dizia: “Existe evidência que o pensamento positivo afeta a dor e que as pessoas que sofrem dores crônicas que pensam menos em suas dores, dormem melhor.”

Certamente Taylor e outros com lúpus precisam tentar manter uma atitude positiva e não se desesperar. E claro, precisam focar em o que podem fazer ao invés do que não podem fazer – e no que tem ao invés do que não tem. E ainda devem se sentir livres para discutir sobre seus sentimentos, bem como suas dores físicas sem serem respondidos com um “discurso motivacional”.

Taylor e todos que tem lúpus, precisam falar honestamente sobre seus sentimentos e sua saúde, e eles precisam ser ouvidos com atenção e compreensão. Às vezes podem até não se comunicar de uma maneira simpática. E às vezes aqueles que precisam ouvir, ao invés disso estão oferecendo conselhos ou encorajamento – ou não estão realmente ouvindo o que está sendo dito. Algumas diretrizes de comunicação podem garantir um contato mais satisfatório.

Aprendendo a falar efetivamente

Você precisa falar sobre o que você está passando para liberar as emoções, mas você também precisa ser ouvido e entendido. Compartilhar seus sentimentos diretamente faz com que você receba empatia e o conforto de ser entendido. Focar em suas emoções convida a pessoa a qual você está falando para ouvi-lo.

Quando estiver falando sobre você mantenha o foco em você e no que está sentindo. Evite culpar ou criticar. Quando você culpa ou critica você pode causar uma reação de defesa do ouvinte ao invés de ouvir o que você tem a dizer.

Ao invés de: Você não tem ideia do que estou passando com o plano de saúde. Você acha que é rotina, mas não é.

Tente isso: Eu me sinto tão frustrado e chateado porque não consigo falar com uma pessoa real que possa me ouvir na empresa de plano de saúde.

Ao invés de: Você vive me dizendo que preciso tomar meus remédios. É fácil para você falar. Você não tem que viver com os efeitos que eles me trazem.

Tente isso: Me sinto totalmente desestimulada. Os remédios tem tantos efeitos colaterais.

Ao invés de: Não tem a mínima chance de viajar para Vermont neste verão. Então pare de falar sobre isso.

Tente isso: Sinto que não vou poder fazer aquela viagem no verão. Me sinto muito doente e não vejo como poderei aproveitar.

As frases “Você não tem ideia” e “Você acha que é rotina” provavelmente levará a uma resposta defensiva ao invés de empatia. A pessoa a qual você está falando poderá responder: “Isso não é justo – eu participo de tudo com você.” E a frase “Pare de falar sobre isso”, provavelmente levará a uma reação como “Alguém tem que planejar com antecedência.”

Aprender a se expressar de uma maneira mais condutiva a ser ouvido é benéfico, até necessário, para você e para aqueles que gostam de você, e que você gosta.

Aprendendo a ouvir

Quando você for ouvir, foque nos sentimentos de quem está falando. Evite reagir na defensiva, evite conselho e até palavras de encorajamento.

Por exemplo, quando a pessoa fala “Eu me sinto tão frustrado e chateado porque não consigo falar com uma pessoa real que possa me ouvir na empresa de plano de saúde.”

Não responda com isso: “Eles tem um milhão de pessoas tentando a mesma coisa. Não fique tão irritado. Não vai ajudar em nada” (desta maneira você está evitando que a pessoa expresse sua frustração, está parando a conversa ao invés de ouvi-la)

Ou assim: “Porque você não liga no viva-voz e continua trabalhando até atenderem? É assim que eu faço.” (aqui você está dando um conselho ao invés de ouvir)

Ou assim: “Eu entendo que é frustrante. Mas continue porque você precisa falar com eles.” (neste caso você está motivando ao invés de ouvindo)

Ao invés destas opções, tente isso em um esforço de ouvir e responder ao problema: “Deve ser uma loucura, especialmente quando você realmente precisa de respostas.”

Ou isso: “Você parece esgotada com esta questão do plano de saúde”

Com estas duas últimas respostas você mantém o foco em quem fala e em suas emoções e evita dar sua própria reação, como conselhos, alertas e encorajamento.

Outro exemplo: Vamos dizer que um amigo ou um membro da família diz o seguinte: “Me sinto totalmente desencorajada. A prednisona me deixa horrível e está acabando com o meu estômago.”

Não responda com isso: “Você não está horrível. E ainda te ajudou com a dor” (aqui você está aconselhando a manter a medicação mas não está ouvindo realmente)

Ou isso: Porque você não tenta tomar menos prednisona?

Tente isso: “Você parece chateada em tomar a prednisona que te deixa menos bonita. É muito frustrante você tomar um remédio para tratar uma coisa enquanto piora outra”

Ou isso: “É exasperador você tomar um remédio para te ajudar e acabar machucando o seu estômago e ainda não gostar do modo como está ao mesmo tempo.”

As últimas duas respostas mantém o foco em quem está falando e em seus sentimentos e não no que você acha sobre os problemas que ela falou.

Encontrando uma nova voz

Expressar os seus sentimentos, necessidades, e pensamentos é satisfatório quando você é realmente ouvido. Muito geralmente você encontrará pessoas que te darão conselhos, sugestões, opiniões o que resulta em muitas vezes em falta de atenção ao que você está querendo falar. Aprenda a reconhecer esta falta de atenção e guie o seu ouvinte. Estas estratégias podem ajudar:

1. Expresse sua necessidade de ser ouvido com clareza e autoconfiança, sem exasperação e frustração.

2. Seja claro que você precisa ser ouvido, sem necessariamente ter como resposta uma sugestão, ou conselho.

3. Aprenda a ser ouvinte para dar exemplo ao seu ouvinte.

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One thought on “Seu direito de expressar dor e ser ouvida

  1. Achei excelente o site, desejo o melhor para voces.
    Minha mãe tem lupus, graças Deus temos controlado bem.
    Gostaria de passar um artigo mostrando que altas dosagens de Vitamina D, podem ajudar muito na melhoria de qualidade de vida e nas dores. Não esqueçam sempre de avaliar com o seu medico. E, importante, a variação da dosagem deve ser testada e bem regulada ao longo do tempo até se encontrar um ponto ótimo.

    Fiquem com Deus!!!

    Artigo Resumo feito por dois Médicos da USP.

    http://www.medicinanet.com.br/conteudos/artigos/2500/vitamina_d_a_vitamina_do_momento.htm?_mobile=off

    Detalhe para as fontes 13(diabetes), 17(Artrite Reumatóide), 18(Lupus Eritrematoso), 19(Esclerose Multipla).

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