Motivos para apostar na vitamina D (NY Times)

Mais um pouquinho sobre a Vitamina D. Notícia fresquinha que saiu hoje, 17/03, no jornal The New York Times (traduzido na página do UOL)

Saúde: motivos para apostar na vitamina D

Jane E. Brody

 

 

Entre os alimentos que contêm vitamina D estão peixes de água fria com bastante gordura, como salmão (foto), cavala, anchova, sardinha e atum. Pelo menos uma vez por semana, alguém, geralmente uma mulher com mais de 50 anos, me pergunta sobre a vitamina D. Talvez um check-up rotineiro tenha revelado uma deficiência, levando o médico a recomendar um suplemento ou, em casos severos, grandes dosagens prescritas para corrigir o problema.

Mas, com frequência a preocupação é a saúde dos ossos. Sem a vitamina D o corpo não pode absorver apropriadamente o cálcio, e os ossos se tornam frágeis. No encontro anual da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos no mês passado, pesquisadores relataram que, entre os 889 pacientes adultos tratados por uma fratura em um centro traumatológico do Missouri, os níveis de vitamina D no sangue eram “insuficientes” em 78% e “deficientes” em 39%. O grupo de estudo excluiu aqueles com fatores conhecidos de risco de deficiência de vitamina D.

Um segundo estudo, realizado por médicos em Seul, na Coreia do Sul, apontou que os níveis de vitamina D eram “significativamente menores” entre 104 mulheres pós-menopausa que tinham fraturado um pulso, em comparação a 107 pessoas de um grupo de controle da mesma faixa etária, sem fraturas.

Mas cada vez mais sou perguntado sobre pesquisas que sugerem que o aumento dos níveis de vitamina D no sangue pode proteger contra doenças crônicas ou que colocam a vida em risco. Muitos estudos nos últimos anos associaram níveis baixos a riscos de saúde como doença cardíaca, pressão arterial alta, câncer, artrite reumatoide e outros males autoimunes, levando muitos homens e mulheres preocupados com saúde a pensarem que suplementos de vitamina D são protetores.

A propósito, ainda não há testes clínicos controlados em grande escala –o padrão ouro da pesquisa em seres humanos– para provar ou rejeitar o valor dos suplementos de vitamina D além dos benefícios conhecidos à saúde dos ossos. Todavia, o dr. Kevin A. Fiscella, um especialista em saúde pública e medicina familiar da Universidade de Rochester, decidiu tomar mil unidades internacionais de vitamina D por dia, com base em dados de seus estudos associando disparidades raciais nos níveis de vitamina D ao risco de doenças e sua crença de que “mal não faz e pode ajudar”.

Uma vitamina com ampla influência

Em uma entrevista, Fiscella enfatizou que seus resultados sugerem fortemente, mas não provam, que as deficiências de vitamina D causam ou contribuem para doenças como câncer colorretal, pressão arterial alta e doenças renais e cardíacas, que afetam os negros americanos em taxas mais altas do que os brancos. Os resultados são reforçados por efeitos biológicos conhecidos da vitamina D e pelo fato de grande deficiência de vitamina D ocorrer entre os negros que vivem no hemisfério norte.

Quase todo tecido do corpo tem receptores de vitamina D, entre eles intestinos, cérebro, coração, pele, órgãos sexuais, mamas e linfócitos, assim como a placenta. A vitamina, que atua como um hormônio, é conhecida por influenciar a expressão de mais de 200 genes.

Em estudos em laboratório, ela é conhecida por ter atividade anticâncer, inibindo o crescimento e disseminação de tumores. Também há evidência que sugere, apesar de inconclusiva, que a deficiência de vitamina D exerce um papel na asma, diabete tipo 2, doenças autoimunes como esclerose múltipla e artrite reumatoide, pré-eclampsia e peso baixo do recém-nascido, e desordens neuropsicológicas como depressão, autismo e perda de memória. A vitamina D é um nutriente essencial solúvel em gordura que entra naturalmente pelo corpo principalmente pela pele, onde a radiação ultravioleta B da luz solar estimula a produção de pré-vitamina D. Esta, por sua vez, é convertida na forma biologicamente ativa, o hormônio da vitamina D, nos rins.

Muitos poucos alimentos contêm naturalmente níveis significativos de vitamina D; a maioria envolve peixes de água fria com bastante gordura, como salmão, cavala, anchova, sardinha e atum, assim como óleo de fígado de bacalhau. Alguns alimentos são reforçados com a vitamina, especialmente leite, papinha de bebê e, mais recentemente, algumas marcas de suco de laranja, iogurte, queijo e cereais matinais.

Vários fatores atuam contra obter os níveis de vitamina D conhecidos para prevenir perda óssea, sem contar outras doenças –caso a causa e o efeito sejam estabelecidos. Um é a cor da pele. A pele escura evoluiu na África equatorial, onde o sol é intenso o ano todo e onde apenas uma breve exposição diária ao UVB (os raios do sol que queimam) é suficiente para obtenção dos níveis adequados de vitamina D no sangue. Mas a melanina na pele atua como filtro solar natural, e entre os negros que vivem nos Estados Unidos, onde o sol é menos intenso, menos vitamina D é produzida.

Os estudos de Fiscella, baseados em milhares de adultos participantes do Levantamento Nacional de Saúde e Nutrição realizado de 2001 a 2006, revelaram taxas muito maiores de deficiência de vitamina D entre os negros não latinos do que nos brancos não latinos. Além disso, em estudos separados, níveis baixos de vitamina D entre os negros por todo o país foram associados a uma maior incidência de câncer colorretal, pressão arterial alta, proteína na urina (um precursor de doença renal) e mortes por problemas cardiovasculares.

Evitando a deficiência

Alertas sobre consequências cosméticas e cancerosas da exposição indevida ao sol levaram milhões de americanos preocupados com a saúde a se protegerem do UVB com roupas protetoras e uso liberal de protetores solares na pele exposta, dificultando a geração de vitamina D. Além disso, como a vitamina D é armazenada na gordura o corpo, o aumento dramático da obesidade nos Estados Unidos está colocando mais pessoas, independente da cor da pele, em risco de níveis inadequados de vitamina D no sangue. Finalmente, o consumo de leite caiu significativamente, e a maioria dos demais derivados de leite populares não é reforçada com vitamina D.

Como resultado, um número crescente de americanos de pele clara está descobrindo que eles também não estão produzindo vitamina D suficiente para atingir os níveis de 20 nanogramas por mililitro, o nível considerado adequado pelo Instituto de Medicina, e ainda menos atingem 30 nanogramas, o nível que muitos especialistas em ossos e pesquisadores de vitamina D consideram mais desejável.

Um teste clínico controlado com placebo chamado Vital, patrocinado pelos Institutos Nacionais de Saúde e que deverá ser concluído em 2016, está avaliando o efeito de um suplemento diário de 2.000 unidades internacionais de vitamina D sobre o risco de desenvolvimento de doença cardíaca, câncer e derrame entre 20 mil homens com mais de 50 anos e mulheres com mais de 55 anos sem histórico anterior dessas doenças.

Enquanto isso, a Sociedade Endócrina recomenda que as pessoas com risco de deficiência de vitamina D sejam examinadas para determinar os níveis em seu sangue, incluindo aquelas com doenças ósseas, doença renal crônica, insuficiência hepática, síndrome de má absorção (resultante de fibrose cística, síndrome do cólon irritável, cirurgia para redução de peso ou radiação abdominal), funcionamento excessivo das glândulas paratireoides e síndromes formadoras de granulomas. As pessoas que tomam medicamentos como anticonvulsivos, glicorticoides, antirretrovirais, antifúngicos e colestiramina também devem ser examinadas, assim como adultos mais velhos com histórico de fraturas por quedas ou fraturas não traumáticas.

Certos grupos de risco por deficiência também devem ser testados: negros, crianças e adultos obesos, mulheres grávidas ou em fase de amamentação, disse Fiscella.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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